Hoje preciso de um charuto, como quem precisa de chuva. Tenho gatos na sala, livros na estante e a vizinha para reclamar da fumaça. Tenho pena, tenho raiva, não tenho tempo. Preciso, hoje. Fumaça, leitura, poltrona, miados, metafísica. Hoje é quando? É senão um ontem com sorriso amarelo disfarçando a falacia da repetição cotidiana. Seria mais feliz feito Direito? Sigo como os gatos, pois hoje preciso de tempo.
Em meio ao verde bambuzal que ao vento sibilava, jazia uma porta branca misteriosamente deitada. Os faunos evitavam aquele local devido às estranhas vibrações que dali provinha. Nenhum dos seres da floresta conhecia para qual paradeiro guiava o enigmático portal. Apenas um menino de cabelos escuros e olhos de lobo é que ousava se aproximar daquele assombroso monumento. Este jovem aparecia sempre no final da tarde após as chuvas de verão e trazia consigo um molho de chaves que utilizava insistentemente na fechadura enferrujada. Diziam os elfos que se chamava Demian e tinha o poder de tudo questionar, contudo entre as Náiades era evocado como Lane pois entre elas passava horas sem fim, assim como Dionísio. Ninguém conhecia seus planos, muito menos seus pensamentos e todos que buscavam compreende-los davam de ombros. Quando caminhava entre os gnomos, não lhes dava trela e viajava em um pensamento desvairado e sem razão para a fútil realidade. Nas noites tristes ou contemplativas o pequeno...
Ah, se eu escreve-se mais e pensa-se menos, Em todas as vezes que me falta uma caneta. Talvez descreve-se melhor o meio que me molda. E assim moldaria aquilo que te cerceia. Seria então o meu modelador te modelando. E o nosso modelar desenharia o mundo. Talvez dessa forma surgissem mais poemas. Conforme outrora, quando fui poesia. Sou hoje trabalho. Continuo sendo. Mas até quando serei?
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