Hoje preciso de um charuto, como quem precisa de chuva. Tenho gatos na sala, livros na estante e a vizinha para reclamar da fumaça. Tenho pena, tenho raiva, não tenho tempo. Preciso, hoje. Fumaça, leitura, poltrona, miados, metafísica. Hoje é quando? É senão um ontem com sorriso amarelo disfarçando a falacia da repetição cotidiana. Seria mais feliz feito Direito? Sigo como os gatos, pois hoje preciso de tempo.
Dormi como gato. Acordei como se acorda. Banhei-me, comi, sorri. Vivi? Trabelhei feito uma mula. Sem forças, calei-me. Ouvi como surdo. Sozinho esbravejei feito louco. Insano. Como fraco, desisti. Covarde não realizo. Prossigo, prossigo.
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